sexta-feira, 14 de outubro de 2011

HISTÓRIA DO ROCK'N'ROLL - ANOS 60

Caso voce tenha perdido a primeira parte clique no link do lado direito da coluna. Boa leitura.



ANOS 1960


No final dos anos 1950, terminada a primeira fase do Rock'N'Roll, houve uma grande perseguição ao criador do estilo, Alan Freed, processado e condenado ao pagamento de uma multa de mais de US$ 30 mil por ter recebido pagamentos em troca da execução de determinadas músicas em seus programas e shows. Reza a lenda que as atitudes antiéticas do Sr. Freed haviam sido responsáveis pelo sucesso do Rock, que de outra forma não poderia ter atingido tamanha repercussão. Alan Freed após a divulgação deste escândalo, resolveu sair de cena para desviar a atenção do público.

Em 1963, Bob Dylan (foto) já era um astro de grande repercussão e as suas letras inteligentes chamavam a atenção do público e da crítica. Em abril fez um grande show em Nova York, e teve uma apresentação no programa de TV de Ed Sullivan cancelada em virtude do conteúdo "revolucionário" de suas letras.

Talvez a única grande novidade no início da década de 1960 tenham sido os Beach Boys, banda dirigida basicamente à comunidade de surfistas, mas que terminou por ter uma inesperada repercussão com o hit “Surfin’Usa” (um plágio descarado a Sweet Little Sixteen de Chuck Berry, por quem seriam processados em seguida).

A partir de 1965, com a banda Yardbirds (foto) (que teve uma carreira tão curta quanto influente, pois tinha entre seus membros ninguém menos que Eric Clapton, Jimmy Page e Jeff Beck) e The Who, o Rock começava a ganhar uma agressividade inédita, com guitarras mais distorcidas e muito mais amplificação.

O HARD ROCK

Em 1966, com o single “Substitute”, o The Who (foto) finalmente levava o Hard Rock pela primeira vez ao topo das paradas (em grande parte devido à repercussão do quebra-quebra generalizado promovido após os shows pela banda no palco e pelo público na platéia), enquanto Eric Clapton forma um super trio, o Cream.

As drogas não eram mais consumidas apenas para eliminar o cansaço, mas sim para buscar prazer e estados alterados de percepção. A música desta época foi fortemente influenciada por drogas como LSD, seja porque era composta sobre seu efeito ou porque era composta de maneira a simular ou tentar ampliar seus efeitos. O novo tipo de música foi chamado de “Psicodélico”.

Sobre o efeito de LSD os Beatles gravaram o que possivelmente foi o álbum mais revolucionário da história do Rock, “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” (foto), em 1967. Pela primeira vez uma banda de Rock rompeu o formato extremamente comercial da música Hit Single, lançando uma obra em que cada música era apenas uma parte do todo. Eles gastaram mais de 700 horas e seis meses de gravação.

Para muitos Sgt. Peppers é considerado o nascimento do Rock Progressivo e divide esta glória com um outro álbum, curiosamente gravado no mesmo estúdio e ao mesmo tempo, “The Pipers At The Gates Of Dawn”, do Pink Floyd, que havia ficado famosa pelas suas performances audiovisuais no underground londrino, liderada pelo gênio movido a LSD de Syd Barret.

Descoberto e levado para a Inglaterra pelo ex-Animals Chas Chendler, Jimi Hendrix seria uma outra grande revelação em 1967. Com seu segundo single, Purple Haze (o primeiro havia sido Hey Joe, um ano antes) Hendrix criou uma nova sonoridade, ampliando definitivamente os recursos da guitarra elétrica no Rock.
OS HIPPIES



Baseados na agressão ao Establishment e na liberdade (sexual e de experimentação) herdada do pensamento Beatnik, surgia nos Estados Unidos o movimento Hippie, concentrado principalmente em San Francisco, e tendo como fundadores bandas como: Grateful Dead, Jefferson Airplane (foto) e The Doors (com seu primeiro single, Light My Fire). São marcos da época as flores no cabelo (daí o termo Flower Power), os cabelos longos e as comunidades alternativas. O símbolo de três pontas relacionado ao lema "paz e amor" foi tomado da sinalização militar que significava "cessar bombardeio". Nada mais adequado em época de Guerra do Vietnã.

O grande evento do ano de 1967 seria o Monterey Pop Festival que reuniu Jimi Hendrix (foto à direita), The Animals, Simon and Garfunkel, Bufallo Springfield, entre outros. Foi neste festival que o mundo descobriu a eterna rainha do blues, Janis Joplin, que explodia com seus uivos e gemidos em clássicos como Mercedez Bens, Cry Baby e Summertime.

Rapidamente a música Folk e principalmente Bob Dylan seriam taxados de “comunistas” e “degenerados”, o que obviamente atraiu a atenção do público jovem e aumentou o apelo do novo estilo.

Em 1968 com o final da banda Yardbirds, Jimmy Page forma o New Yardbirds, logo renomeado para Led Zeppelin (foto à esquerda). Outra banda de Hard Rock, o Sttepenwolf, na música Born To Be Wild, inaugurava pela primeira vez o termo “Heavy Metal”. A sonoridade do Led Zeppelin era inédita e, embora muito baseada no blues, era mais agressiva do que qualquer outra música. Instrumentistas virtuosos, solos e improvisações de tempo indeterminado começavam a despontar. O Hard Rock iniciava seu período de apogeu.



WOODSTOCK E INGLATERRA



O ano de 1969 foi o ano dos grandes festivais. A morte de um fã num show dos Rolling Stones (foto à direita), durante uma apresentação gratuita no festival de Altamond, Califórnia, foi o marco negativo do ano. Mas mesmo esta má impressão não seria capaz de abafar a realização do maior evento de música de todos os tempos. Entre 15 e 17 de Agosto, o Woodstock, realizado em Bethel, Nova Iorque era interpretado por muitos como o marco do início de uma nova era de “paz e amor”, com apresentações entre outros de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jefferson Airplane e The Who. Durante o encontro Hippie, 200.000 pessoas dançaram nuas e depois foram nadar num imundo rio. Dois meninos nasceram durante a festa, três pessoas morreram e mais 5.000 foram hospitalizados por abuso de drogas.

Com bandas de músicos virtuosos como Pink Floyd (foto), Led Zepellin, Cream, Jethro Tull e Deep Purple, e os super experimentais Mothers Of Invention de Frank Zappa, associados aos trabalhos cada vez mais elaborados de bandas antigas como os Beatles e o The Who (que havia lançado a ópera Rock “Tommy”, elevando definitivamente o Rock a categoria de arte) a simplicidade característica do rock dos primeiros tempos havia sumido.
 
O ROCK BRITÂNICO

Enquanto o Rock decolava no seu país de origem, do outro lado do Atlântico, na Inglaterra, principalmente nas cidades portuárias (por terem acesso mais fácil as músicas que vinham do continente americano), crescia o interesse pelo Rock and Roll. Na cidade de Liverpool estava tomando forma um movimento cultural que tomou o nome de um fanzine musical local, “Mersey Beat”. Entre as bandas locais já se destacavam os Beatles. Os Rolling Stones se tornavam também um grande sucesso mundial com sua ida aos Estados Unidos pouco após os Beatles (a atitude irreverente dos Stones, com seus frequentes escândalos, era a antítese perfeita à educação e boa aparência dos Beatles, conquistando a parcela mais rebelde do público).

Outras bandas inglesas como Herman’s Hermits, The Kinks e The Animals (foto) também despontavam. O Rock’N’Roll foi uma invenção americana e isso é inegável. Aliás, até os gêneros musicais que deram origem ao Rock - o Country, Blues, o Gospel e o Rhythm’N’Blues - são de origem americana. Apenas daí para trás é que podemos traçar outras "nacionalidades", uma vez que a influência da música africana (cuja introdução na sociedade americana do século XX se deu graças aos escravos do sul do país, que haviam herdado, mantido e revolucionado suas tradições, mais ou menos o mesmo processo ocorrido com o Samba no Brasil, que é um ritmo brasileiro inquestionavelmente, mas oriundo da música africana herdada pelos nossos escravos) no Blues e no R & B é fortíssima.

Assim, do seu nascimento até a metade da década de 60, o Rock’N’Roll praticamente relegou sua existência aos Estados Unidos. Entretanto, havia uma cena incipiente em outros países europeus, em especial na Inglaterra, e só faltava a explosão de uma banda para que uma enxurrada de novos nomes viessem a segui-la. O primeiro artista inglês de Rock com repercussão nos Estados Unidos foi Billy Fury (foto).



THE BEATLES




E, enfim, vieram os Beatles. Se, no início, não passavam de uma cópia de Chuck Berry e Gene Vincent, ao longo dos anos foram desenvolvendo estilo e personalidade próprias, até que estouraram mundialmente em meados dos anos 60. Oriundos de Liverpool, começaram copiando os americanos e, poucos anos mais tarde, estavam fazendo muitos americanos os copiarem (o exemplo mais notório e grotesco foram os Monkees). Isso pra não falar no caminho que eles (Beatles) abriram para outras bandas inglesas, que, agora, eram a sensação e a renovação do Rock - estilo que começava, então, a tornar-se um fenômeno mundial. Além dos Beatles, vieram da Grã-Bretanha os Rolling Stones, The Searchers, The Animals, The Small Faces, The Who, The Kinks e outros menos famosos.

Tais grupos traziam mais atitude, mais rebeldia (a maior delas: os cabelos compridos e desalinhados), mais qualidade musical e, sobretudo, mais inovações do que o que vinha sendo feito paralelamente nos EUA. A juventude inglesa sofria de frustrações tão grandes - ou até maiores - quanto à americana, e isso foi de suma importância para que fossem desenvolvidas as particularidades que emergiriam do Rock Inglês. O estilo, naquele país, passaria por enormes e profundas reviravoltas ao longo de sua existência, tornando-se progressivamente mais visceral, mais pesado, mais distorcido, mais sujo, mais obsceno.

São produtos ingleses alguns dos nomes mais revolucionários do Rock em todos os tempos (e o Rock daquele país, talvez, só perca para os EUA em importância por não ter sido o criador do gênero): Beatles, Rolling Stones, Black Sabbath (inventor do Heavy Metal), Sex Pistols (foto) (consolidador do Punk Rock), Iron Maiden (salvador do Heavy Metal) e muitos outros.

Na Inglaterra, o Rock’N’Roll americano demorou a chegar devido a diversos problemas. O vazio musical que lá havia foi preenchido pela onda da Skiffle, sendo uma imitação da música rural do sul dos EUA. A partir dela surgiria à base de blues do rock britânico. As músicas americanas chegaram, então, de uma só vez. Rock’N’Roll, Calipso, Rhythm’N’Blues, Doo-Wop, Rockabilly, Country Rock, Mowtown etc… Misturados com a Skiffle, e o Folk deram origem ao que hoje é conhecido, simplesmente, como “Rock”.

O poeta Allen Ginsberg viria a proclamar mais tarde: “A poesia no sentido tradicional acabou. Ninguém se senta mais na poltrona da sala de estar para ler. O Rock é a nova poesia. É um retorno à poesia dos velhos tempos”. E o bluesman John Lee Hooker (foto), quando o Rock Britânico invadia o mundo: “Acho que os conjuntos ingleses foram responsáveis pela volta do Blues...”.

A partir daí vários grupos ingleses fizeram sucesso por todo o planeta, mas nenhum se igualou aos Beatles. O Rolling Stones foi o segundo grupo inglês de maior importância, gravando sucessos como “Satisfaction”, “Let’s Spend The Night Togheter”, “Lady Jane” e “As Tears Go By”. Grupos como The Animals, Yadbirds, The Who e Cream sempre ocuparam um grau secundário no cenário do rock britânico. Apesar de eu achar o som do The Who maior até que os Beatles.